Ocorrência Natural e Formação
Abundância na Crosta
O Magnésio é o oitavo elemento mais abundante na crosta terrestre, com 2,3% em massa, e o terceiro mais abundante na água do mar, com 1.290 partes por milhão. Essa abundância reflete o papel do Magnésio como componente primário do manto terrestre, onde os minerais olivina ((Mg,Fe)₂SiO₄) e piroxênio predominam nos 400 quilômetros superiores do interior do nosso planeta.
O gradiente de concentração desde o núcleo terrestre (praticamente sem Magnésio), passando pelo manto silicatado (25% de Magnésio), até as rochas da crosta demonstra como a diferenciação planetária concentrou os elementos mais leves nas camadas externas. O raio iônico do Magnésio (0,72 Å) e sua carga (+2) tornam-no idealmente adequado para a coordenação octaédrica em minerais silicatados.
Principais Depósitos Minerais
A olivina, o mineral que contém Magnésio mais abundante, forma-se quando magmas ricos em Magnésio cristalizam em altas temperaturas (1.200-1.800°C). Os principais depósitos de olivina do complexo de Åheim, na Noruega, e de Buck Creek, na Carolina do Norte, fornecem fontes de Magnésio de grau industrial. Esses depósitos formaram-se a partir de intrusões ultramáficas ricas em composições do manto primitivo.
Os depósitos evaporíticos representam outra fonte crucial de Magnésio, particularmente a Bacia de Zechstein, sob o Norte da Europa, e a Bacia Permiana, no Texas. Esses depósitos formaram-se há 250 milhões de anos, quando bacias marinhas restritas evaporaram, concentrando cloreto e sulfato de Magnésio até níveis de saturação. A extração moderna do Mar Morto e do Grande Lago Salgado continua esse processo natural de concentração.
Ambiente Marinho
A água do mar contém 53 milhões de toneladas de Magnésio por quilômetro cúbico, mantidos por ciclos biogeoquímicos complexos que envolvem aportes fluviais, circulação hidrotermal e absorção biológica. Os sistemas hidrotermais das dorsais meso-oceânicas trocam continuamente Magnésio entre a água do mar e as rochas basálticas quentes, mantendo as concentrações oceânicas de Magnésio ao longo do tempo geológico.
Os organismos marinhos utilizam extensivamente o Magnésio em processos de biomineralização. As algas coralíneas e os foraminíferos incorporam Magnésio em estruturas de carbonato de cálcio, criando calcita rica em Magnésio que registra a química dos oceanos antigos. Esses processos biológicos removem quantidades significativas de Magnésio da água do mar enquanto criam vastos depósitos de calcário enriquecidos em Magnésio.
Nucleossíntese Estelar
O Magnésio forma-se por meio da queima de carbono em estrelas massivas (>8 massas solares), quando as temperaturas do núcleo excedem 600 milhões de Kelvin. A principal via de reação envolve a fusão de núcleos de carbono-12 para formar neônio-20, que então captura partículas alfa para produzir Magnésio-24, o isótopo de Magnésio mais abundante (79% do Magnésio natural).
As supernovas do tipo II sintetizam Magnésio explosivamente por meio de processos de queima de oxigênio, nos quais núcleos de oxigênio-16 sofrem reações de fusão rápidas em temperaturas superiores a 1,5 bilhão de Kelvin. Essas explosões estelares dispersam Magnésio pelas galáxias, enriquecendo o meio interestelar que forma gerações subsequentes de estrelas e planetas.
Sistemas Biológicos
As moléculas de clorofila contêm Magnésio em seus centros, tornando a fotossíntese impossível sem esse elemento. Cada molécula de clorofila coordena um íon de Magnésio com quatro átomos de nitrogênio em uma estrutura de anel porfirínico, permitindo a absorção de luz em comprimentos de onda específicos (430 nm e 662 nm para a clorofila a).
A fisiologia humana requer 400-420 mg de Magnésio diariamente para mais de 300 reações enzimáticas, incluindo a síntese de ATP, a síntese de proteínas e a contração muscular. A deficiência de Magnésio afeta 10-30% da população mundial, causando cãibras musculares, batimentos cardíacos irregulares e aumento do risco de osteoporose. Vegetais de folhas verdes, nozes e grãos integrais fornecem as fontes alimentares mais ricas.
Extração Comercial
O processo Pidgeon domina a produção mundial de Magnésio, reduzindo dolomita (CaMg(CO₃)₂) com ferrossilício a 1.200°C sob vácuo: 2MgO + 2CaO + FeSi → 2Mg + Ca₂SiO₄ + Fe. Esse processo, desenvolvido no Canadá durante a Segunda Guerra Mundial, produz 80% do Magnésio metálico do mundo, principalmente na China, que responde por 87% da produção global.
A extração eletrolítica da água do mar oferece uma rota alternativa, especialmente em áreas com eletricidade barata e abundante. O processo Dow extrai hidróxido de Magnésio da água do mar usando cal e, em seguida, converte-o em cloreto de Magnésio para eletrólise. Essa abordagem renovável poderia, teoricamente, fornecer uma quantidade ilimitada de Magnésio, pois a água do mar contém mais de 4 bilhões de anos de reservas nas taxas atuais de consumo.